O primeiro contato que tive com a pintura de Aruane foi no ano passado, na Bienal do Recôncavo. Havia alguma coisa naqueles dois retratos de fundo negro com interferências que ultrapassava a evidente semelhança com outros de diferentes artistas. Aruane estava apenas começando e ainda preocupada em resolver a pintura em si, mas já se percebia além da busca do processo técnico uma naturalidade de expressão difícil de se achar.
Menos de um ano depois, numa notável evolução para tão curto tempo, vejo materializar-se o que fora apenas sugerido. Mantendo o motivo – a figura humana - os retratos sobre fundo negro cederam lugar a uma rica palheta onde predominam vermelhos, brancos, marrons e cinzas e sua estratégia de unir a imagem figurativa à persuasiva espontaneidade ortodoxa da abstração resulta numa segura interpretação subjetiva que enfatiza a expressão e postura das figuras, naturais e provocantes.
Percebi então o que já estava implícito naquela fase inicial: a sinceridade, que no caso de Aruane fala mais alto que qualquer estilo que venha a adotar. É esta empatia com o tema- a figura humana – que para ela é o grande mistério r s facilidade natural que tem de captá-lo, responsável pelo frescor e atualização do seu trabalho.
Matilde Matos
Crítica de Arte ( ABCA)
Salvador, dez/1992
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