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MEMBRANAS DA CIDADE

09 de abril a 18 de maio de 2008

Espaço Caixa Cultural, Salvador, Bahia

A exposição individual da artista resultou do edital de ocupação dos espaços dessa instituição e reuniu 10 obras que resultam da sua pesquisa com as superfícies e muros urbanos, em sua visão, membranas da cidade, que comunicam sobre falas, significados e apropriações sociais.  

​Os emparedados ou Prisioneiros da Cidade

Todo processo de expressão da arte consiste numa metaforização do real em que a verdade final (que o artista pretende mostrar) passa por um maior ou menor distanciamento da realidade contingente; sofre uma maior ou menor distorção em seus  componentes, reordenados e reagrupados para ganharem um sentido novo, mais verdadeiro que o real, vez que este se escuda em falsas aparências e ao oferecer uma vida melhor para o ser humano, todavia limitam-na; diminuem-na; estrangulam-na nas angústias do cotidiano.

Por isso, ao ver a paisagem humana indissociável da paisagem urbana que Aruane cria, me impressiona a qualidade com que cerziu o seu trabalho, através de distorções expressionísticas que me lembraram Cézanne, não só pelo afã de entortar o real para ser mais real, como no aprisionamento do personagem no “back-ground” o emparedamento, processo de metaforização básico dos quadros, seres fechados e isolados na cidade grande, sem afeto, sem solidariedade, sem comunicação; o muro que segrega mas que também é tela, membrana.

Aruane consegue o desiderato de qualquer artista de sintonizar linguagem e temática, a partir dos mais mínimos signos do cotidiano, até a projeção de figuras torturadas numa perícia artesanal em que as pinceladas dizem sem preocupação gramatical. Sua composição de cor, forma e volume são elementos orgânicos na construção da paisagem pictórica, montada praticamente num monocromático que enfatiza a condição dramática dos seres que ela constrói e imerge com pinceladas vigorosas.
 

Ildásio Tavares

2008

MEMBRANAS DA CIDADE

Muros e superfícies que separam uns de outros, que escondem corpos e gestos, dividindo o mundo entre o que pode ser visto e o que se pretende ocultar, sejam elementos necessários ou acessórios, suaves ou agressivos, permeáveis ou nem tanto, são MEMBRANAS DA CIDADE.

Na condição de interface com o espaço de fluxos e movimentos, as membranas da cidade, particularmente os muros, essas superfícies amorfas e restritivas cada vez mais presentes na cidade brasileira, tornam-se suportes de mensagens diversas, adquirindo significados que ultrapassam a esfera da funcionalidade para habitar o reino do sensível, espelhando o contexto
urbano, suas falas e contradições. Esse universo de formas, cores, signos e texturas constituem, paradoxalmente, uma obra condensada que nos reporta à cidade com sua densidade histórica e temporal, sua condição democrática e plural, em estado de permanente construção ou destruição.

O indivíduo, em movimento ou confinado, é par te e também construtor desse cenário urbano, fundindo-se nessa corporalidade física e temporal.

Na tentativa de explorar e de expressar os significados da cidade contemporânea busco inspiração nessas superfícies nuas e expostas da cidade, ainda que sejam aquelas que mais a escondem do que a mostram. O processo de apropriação social dos muros da cidade nos fornece um caminho para uma linguagem plástica, e também para um fazer artístico, que, como um processo, não tem projeto nem um fim previamente definido. Camadas de tintas se superpõem na tela, sem esconder as anteriores, com seus elementos plásticos e signos, que ora se somam, ou se fragmentam, compondo um mosaico denso de significados e aberto a várias leituras.
 

CONVITE

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